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UM DOCE APRENDIZADO


Quem já teve na vida uma tia muito querida que ricamente influenciasse o seu modo de ser? Uma tia tão admirável que você queria imitar por ser uma delicadeza em pessoa?! Alguém que deixou saudades pra sempre no coração, quem nunca teve?! Eu tive várias, mas uma em especial me ensinou tanta coisa, desde atitudes morais até modos práticos de vida. Essa tia me despertou o gosto por músicas que elevam a alma e também me indicou caminhos de espiritualidade. Uma riqueza de valores tinha aquele ser humano incrível de sorriso tão acolhedor! Eu enxergava nela uma ternura que encantava o coração. Minha querida Tia Luzia, irmã de meu pai, foi essa pessoa que influenciou tanto a minha vida. Filha de pais portugueses, Luzia recebeu uma educação exemplar que a tornou uma mulher de caráter impecável. Lembro com saudades que na infância, durante as férias, o meu sonho e de meus irmãos era viajar para Curitiba e usufruir de sua hospitalidade. Ficávamos ansiosos contando os dias que faltavam para a viagem que nos levaria para a cidade grande. Muita expectativa! A casa da tia Luzia recebia no verão os tímidos sobrinhos do interior e ela nos tratava como seus próprios filhos. Quantas lembranças daquele tempo! Quantas brincadeiras no quintal, na sala, no sótão da casa! E a comida que minha tia fazia então, como era deliciosa! De família tradicional que, a princípio, morava em Minas Gerais antes de vir para o Paraná, minha avó Albina passou para sua filha Luzia, entre tantas coisas, o gosto de fazer um bom doce de leite. Muito caprichado, pacientemente feito passo a passo. Delicioso. Na minha adolescência, querendo imitar a minha tia, fui tentando aprender a feitura do doce de leite. Um longo tempo de tentativas para chegar ao ponto que eu achava ser semelhante ao que ela fazia. A experiência do aprender se misturava com as boas recordações da infância. Precisava ficar parecido com o doce que a minha tia fazia. Não tanto açúcar. Boa aparência. Bem macio. De sabor agradável. Grandes doses de carinho. Muitas colheres de afeto! Passados tantos anos, ainda estou aprendendo a fazer o "doce de leite da tia Luzia". Não sei se um dia ficará tão bom como o que ela fazia. Só sei que cada vez que levo a panela ao fogão e misturo o leite com o açúcar me recordo das mais ternas lembranças que tia Luzia deixou. Um doce aprendizado para toda a vida.


Lucia Maria - Colunista TV Online

Camilo First

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