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O NATAL DA MINHA INFÂNCIA

"Oh que saudades que eu tenho, da aurora da minha vida, da minha infância querida que os anos não trazem mais." Ah como estes versos de Casimiro de Abreu, despertaram uma nostalgia e embalaram os meus pensamentos naquela tarde de domingo, véspera de Natal.

Voltei no tempo, anos sessenta do século passado. Eu era uma criança muito sonhadora e alguns acontecimentos se tornaram simplesmente inesquecíveis. O Natal da minha infância ficou guardado na memória com muitas lembranças repletas de inocência e de encanto. Cresci numa família sem recursos para supérfluos. Meu pai partiu cedo deste mundo e minha mãe Therezinha, viúva ainda jovem, muito lutadora, procurou dar o melhor sustento e a melhor educação que podia aos seis filhos. Luiz Carlos, meu irmão mais velho, um adolescente precoce, era como que um auxiliar de minha mãe e se tornou o protetor dos irmãos menores.

Ah! E que alegria eu sentia quando chegava o tempo do Natal. Uma data mágica! Para mim a época preferida e mais feliz do ano. Eu, com menos de dez anos de idade, ficava maravilhada ao ver minha irmã Luiza decorar um canto da sala com um galho seco cortado de goiabeira do quintal enfeitado com flocos de algodão e bolinhas coloridas. Esta era a árvore de Natal lá de casa e a decoração do presépio só existia mesmo dentro do meu coração. Um rádio antigo, presente dado por meus avós, tocava músicas natalinas e eu ficava sonhando com o nascimento do menino Jesus. Era uma expectativa de que algo muito bom e luminoso atingiria o mundo inteiro.

Minha mãe procurava fazer do Natal a data mais festiva do ano e se esmerava para oferecer uma comemoração digna que contentasse aquela criançada. Ficávamos tão contentes ao ganhar, cada um, uma caçulinha Nice para o almoço do dia 25. Fazíamos um furinho na tampa fechada para que aquela delícia demorasse a acabar. Hum! E o almoço que minha mãe fazia! Sentar à mesa todos juntos era a celebração em família que valia por todo o ano. Saborear a macarronada, os pastéis, o pudim, o doce de figo, era tudo tão incrível! Papai Noel pouco visitava nossa casa, mas isso não tinha tanta importância, pois minha mãe oferecia os melhores presentes, roupinhas novas costuradas com todo o seu carinho. Ficávamos todos faceiros com aquelas vestes nos passeios de domingo durante o ano inteiro. Tão simples e tão caloroso era o Natal da minha infância. Comemorar o nascimento do Menino Deus com oração e simplicidade junto com a família era pura felicidade! O tempo passou tão rápido. Muita coisa mudou, mas o Natal continua ocupando o lugar especial que sempre teve em minha vida. E todo ano, a criança interior que habita em mim, vibra de esperança, pois o Menino Jesus sempre nasce de novo e traz de volta a luz que tanto falta ao mundo! E meu coração sempre fica a rezar: Vem Senhor Jesus, vem!


Lucia Maria - Colunista TV Online



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