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MINISTÉRIO DA CULTURA: A INCULTURA ESTATAL

Atualizado: 6 de Abr de 2018






Recentemente, em almoço na cidade de Curitiba com seus partidários, Jair Bolsonaro afirmou que iria extinguir o Ministério da Cultura. Tal afirmação trouxe à tona inúmeras críticas ao deputado, da mesma forma que ocorreu quando o Presidente Michel Temer extinguiu, por um breve período, o referido ministério.

Em ambos os casos vemos a afirmação por parte dos críticos a extinção do ministério a acusação de que se trata de um ataque à cultura, destruindo a arte, música, cinema e tutti quanti a esse ministério estejam relacionados. Como se a extinção deste ministério levasse ao fim da cultura mesma do País.

É evidente que tais acusações não passam de mentiras ou, no melhor dos casos, ignorância. O Ministério da Cultura desta nada tem.

Mas o que de fato vem a ser cultura? Muito se diz sobre cultura como expressão de um povo, de uma sociedade, um grupo; como aquilo que da testemunho do modo de ser de um aglomerado de pessoas. Se realmente isso fosse cultura, a brasileira seria a da falcatrua, da ignorância, do funk, cultura da incultura, visto que essas coisas são, dentre outras, aquilo que encontramos no modo de ser de muitas regiões brasileiras. Essas coisas podem ser maus costumes, maus hábitos, qualquer coisa menos cultura em seu sentido original. Explico.

Cultura, em um sentido sociológico ou antropológico, é um elemento civilizacional, fundamento de uma sociedade, que garante que ela consiga se desenvolver, mantendo-a ordenada - evitando o caos, é evidente que os elementos ditos anteriormente tidos como cultura são elementos de desordem, não de ordem. Em outras palavras, cultura é aquilo que forma uma nação e não o contrário.

Depois dessa brevíssima análise sobre o que é cultura voltemos ao Ministério. Este tem como uma de suas finalidades fomentar a cultura e a produção cultural do país - como se cultura fosse um produto -, boa parte desse incentivo é feito por meio da Lei Rouanet, muito conhecida popularmente. Essa lei já financiou os mais bizarros eventos e personagens sob a alegação de se estar financiando a “cultura” do país, dentre esses destaco um filme sobre Brizola (notável figura política ligada a esquerda), DVD do MC Guimê, uma turnê do Luan Santana, Shows de Cláudia Leite e uma turnê do Circo Du Soleil dentre vários outros. É muito comum encontrarmos um viés ideologizado nos projetos aprovados por esse ministério, notadamente de esquerda; sem contar também o uso da verba para artistas que nem precisariam desta, dada a grande projeção. E claro, em grande parte são projetos contrários à cultura de fato.

A que “cultura” esse ministério tem fomentado? À dos interesses partidários, conchavos políticos e delírios ideológicos? Com certeza a cultura genuína – aquele aglomerado de saberes e práticas que formaram nossa nação - não tem sido o alvo principal de tal incentivo. Parece-me que o seu uso tem seguido os ditames de Antônio Gramsci com sua revolução cultural, servindo aos interesses do partidão e de la revolución, afinal, nesse sentido, já não é mais a cultura que forma a Nação e o Estado, mas sim o estado que dita o que é cultura e o que não é.

Por fim, desafio aos adeptos desse ministério para que me apontem o liame real entre o Ministério da Cultura e a Cultura de fato e em que sentido o seu fechamento poderia representar o fim da Cultura Brasileira, afinal o fechamento do tal ministério representa, na verdade, o fim da incultura estatal.


Camilo First

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