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A DESORGANIZAÇÃO DO FUTEBOL SUL-AMERICANO



Foto: Nelson Almeida/AFP


Na última terça-feira(28), Santos e Independiente se enfrentaram lutando por uma vaga nas quartas de final da Libertadores. No campo, a partida terminou 0 a 0 no agregado, mas após decisões da Conmebol, o agregado ficou no 3 a 0 para o Independiente, placar que foi atribuído ao primeiro jogo pela escalação irregular de Carlos Sánchez no time do Santos. Para fechar um confronto conturbado por questões fora do futebol, a segunda partida, realizada no Pacaembu, foi encerrada aos 36 minutos por falta de segurança. O momento no final do jogo começou com bombas e a cadeiras sendo arremessadas dentro de campo. Depois disso, torcedores tentaram derrubar as grades para invadir os gramados.

Casos como esse não são anormais no futebol sul-americano, o que é lamentável visto o espetáculo que o futebol que nosso continente pode oferecer. Um jogo entre Santos e Independiente deveria ser uma partida que demonstra a força do continente, são 10 títulos de Libertadores entre os dois times(7 do Independiente e 3 do Santos), mas o encontro foi mais uma partida para se esquecer.

Toda a confusão ocorrida dentro dos bastidores antes da partida é prova da desorganização da Conmebol e dos times. As polêmicas sobre o uso irregular de Sánchez se iniciaram após o jogo de ida na Argentina e se estenderam pelos dias seguintes. Num mar de “vai ou não vai”, a decisão de punir o Santos e aplicar o placar de 3 a 0 no primeiro jogo aconteceu apenas 9 horas antes do jogo, ou seja, os jogadores foram dormir no dia anterior sem saber o placar que teriam que buscar ou proteger para passar para a próxima fase.

O Santos também pagou por sua desorganização, é verdade que o time consultou o sistema Comet da Conmebol e constatou que o jogador estava apto, mas o clube errou ao não consultar a Conmebol diretamente, tendo consciência de que Sánchez tinha, na teoria, uma partida para cumprir de suspensão.

A suspensão do meia já não foi por um motivo comum, ele foi punido com 3 jogos quando jogava pelo River Plate após agredir um gandula. O ocorrido foi na Copa Sul-Americana de 2015, e desde lá, o atleta não voltou a estar envolvido em competições continentais. No ano seguinte, sua punição foi diminuída para 1 jogo.

O episódio marca duas discussões que estão interligadas, a falta de união dos clubes brasileiros e a parcialidade da Conmebol em relação ao Brasil. A Conmebol já deu diversos exemplos de tratamento desigual. Em caso parecido com o Santos, a Conmebol decidiu não punir o River Plate por ter usado em sete jogos o jogador Zuculini, que na teoria estava suspenso por dois jogos. Ela alegou ter errado neste caso(Segundo a entidade, o clube argentino a consultou, e foi informado que o jogador não tinha suspensão para cumprir) e que nenhum dos clubes que enfrentou o River denunciou no prazo adequado.

A Conmebol poderia ser confrontada ou no mínimo questionada por clubes brasileiros, mas a falta de união entre eles dificulta ainda mais as coisas. Na maioria das vezes, um time só vai agir ao lado de outro se ele for afetado também, complicando a situação dos clubes em frente até mesmo a CBF.

Na sexta-feira(31), às 18:30, a TV Online irá realizar uma live para comentar mais sobre este caso. Além disso, o sorteio da fase de grupos da Liga dos Campeões também será abordado, então venha com a gente!

Camilo First

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